EPIDEMIOLOGIA DA EPILEPSIA: DISTRIBUIÇÃO BRASILEIRA E GLOBAL

Leandro Januário de Lima, Francisco José Ferreira Filho, Matheus de Oliveira Medeiros, Galileu Olimpio Nunes, Maria do Carmo Andrade Duarte de Farias

Resumo


A epilepsia é uma condição funcional do encéfalo caracterizada pela apresentação de descargas neuronais assincrônicas, manifestadas pelas crises convulsivas, parciais ou difusas, simples ou complexas. Sua prevalência é variável ao redor do mundo, mas o impacto na saúde brasileira é indicado em valores superiores aos vinte milhões anuais em custos hospitalares. O objetivo deste estudo foi descrever os aspectos epidemiológicos da epilepsia no Brasil, no mundo e na faixa etária infantil. Realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa, com fonte de dados na Biblioteca Internacional de publicações médicas (PUBMED) e livros-texto de referência. No desenvolvimento, construiu-se o histórico das pesquisas epidemiológicas em epilepsia no país e suas taxas de incidência e prevalência cumulativa. Os dados mundiais apontam para a epilepsia como uma das principais doenças neurológicas e também do cenário geral. Com uma população de portadores estimada entre 40 e 50 milhões no planeta, estima-se que pelo menos 80% deles estão nos países em desenvolvimento. Os inquéritos também apontam um pico de incidência entre as crianças, embora estudos de maior evidência ainda não tenham mostrado que a diferença entre as faixas etárias seja significativa. Concluiu-se que a distribuição da epilepsia é influenciada na estrutura epidemiológica pelos determinantes sociais do processo saúde-doença.


Texto completo:

Lima et al.

Referências


AABERG, K. M. et al. Incidence and Prevalence of Childhood Epilepsy: A Nationwide Cohort Study. Pediatrics, [S. l.], v. 139, n. 5, p.20163908-20163908, abr. 2017.

ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia social das epilepsias no Brasil. In: SENA, P. (Ed.). Novas achegas sobre a epilepsia. Salvador: UFBA, 1980. p. 57-76.

ALMEIDA FILHO, N. Estudo de prevalência de desordens mentais na infância na zona urbana de Salvador-Bahia. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 31, p. 225-236, 1982.

BANERJEE, P. N.; FILIPPI, D.; HAUSER, W. A. The descriptive epidemiology of epilepsy — A review. Epilepsy Research, [S. l.], v. 85, n. 1, p.31-45, jul. 2009.

BEGHI, E. et al. Global, regional, and national burden of epilepsy, 1990–2016: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. The Lancet Neurology, [S. l.], v. 18, n. 4, p.357-375, abr. 2019.

BEGHI, E. The Epidemiology of Epilepsy. Neuroepidemiology, [S. l.], v. 54, n. 2, p. 185-191, dez. 2019.

BEGHI, E.; GIUSSANI, G.; SANDER, J. W. The natural history and prognosis of epilepsy. Epileptic Disorders, [S. l.], v. 17, n. 3, p.243-253, set. 2015.

BEGHI, E.; HESDORFFER, D. Prevalence of epilepsy – An unknown quantity. Epilepsia, [S. l.], v. 55, n. 7, p.963-967, jun. 2014.

BORGES, M. A. et al. Urban prevalence of epilepsy: populational study in São José do Rio Preto, a medium-sized city in Brazil. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 62, n. 2a, p. 199-204, Jun. 2004.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

BRASIL. Portaria nº 221, de 17 de abril de 2008. Diário Oficial da União. Brasília, 2008.

COWAN, L. D. The epidemiology of the epilepsies in children. Mental Retardation And Developmental Disabilities Research Reviews, [S. l.], v. 8, n. 3, p.171-181. 2002.

FERREIRA, I. L. M.; SILVA, T. P. B. Mortalidade por epilepsia no Brasil, 1980-2003. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 89-94, 2009.

FIEST, Kirsten M. et al. Prevalence and incidence of epilepsy. Neurology, [S. l.], v. 88, n. 3, p.296-303, dez. 2016.

GALUCCI NETO, J.; MARCHETTI, R. L. Aspectos epidemiológicos e relevância dos transtornos mentais associados à epilepsia. Revista Brasileira de Psiquiatria, [s.l], v. 27, n. 4, p. 323-328, 2005.

GIL, A. C. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2017.

GRINSPAN, Z. M. et al. Predicting frequent emergency department use among children with epilepsy: A retrospective cohort study using electronic health data from 2 centers. Epilepsia, [S. l.], v. 59, n. 1, p.155-169, nov. 2017.

LIMA, L. J.; BRITO, R. C.; FARIAS, M. C. A. D. Morbimortalidade hospitalar por epilepsia: análise de dados oficiais. Revista de Pesquisa Interdisciplinar, [S. l.], v. 3, n. 1, p.120-130, jul./dez. 2018.

MARINO JÚNIOR, R.; CUKIERT, A.; PINHO, E. Aspectos epidemiológicos da epilepsia em São Paulo: um estudo da prevalência. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 44, n. 3, p. 243-254, set. 1986.

MARTÍN, G. G.; CASTRO, P. J. S. Epidemiología de la epilepsia em España y Latinoamérica. Revista de Neurología, [S. l.], v. 67, n. 07, p.249-262, out. 2018.

NGUGI, A. K. et al. Estimation of the burden of active and life-time epilepsy: A meta-analytic approach. Epilepsia, [S. l.], v. 51, n. 5, p.883-890, jan. 2010.

NORONHA, A. L. A. et al. Prevalence and Pattern of Epilepsy Treatment in Different Socioeconomic Classes in Brazil. Epilepsia, [S. l.], v. 48, n. 5, p.880-885, maio 2007.

NUNES, M. L.; GEIB, L. T. C.; APEGO, G. Incidence of epilepsy and seizure disorders in childhood and association with social determinants: a birth cohort study. Jornal de Pediatria, [S. l.], v. 87, n. 1, p.50-56, jan. 2011.

SAMPAIO, L. P. B. et al. Prevalence of Epilepsy in Children From a Brazilian Area of High Deprivation. Pediatric Neurology, [S. l.], v. 42, n. 2, p.111-117, fev. 2010.

SAMPAIO, L. P. B. Estudo de Prevalência de Epilepsia em crianças e adolescentes da comunidade de Paraisópolis. 2009. 130 f. Tese (Doutorado) - Curso de Neurologia, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

SINGH, A.; TREVICK, S. The Epidemiology of Global Epilepsy. Neurologic Clinics, [S. l.], v. 34, n. 4, p.837-847, nov. 2016.

SIQUEIRA, H. H. et al. Prevalence of Epilepsy in a Brazilian semi urban region: an Epidemiological Study. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, [s.l], v. 20, n. 2, p. 124-138, maio/ago. 2016.

THURMAN, D. J. et al. Standards for epidemiologic studies and surveillance of epilepsy. Epilepsia, [S. l.], v. 52, supl. 7, p.2-26, set. 2011.

WEN, T. et al. The Weekend Effecton Morbidity and Mortality Among Pediatric Epilepsy Admissions. Pediatric Neurology, [S. l.], v. 74, n. 0, p.24-31, set. 2017.

YACUBIAN, E. M. T. Conceito e Classificação das Epilepsias. In: BERTOLUCCI, P. H. F. et al. (Ed.). Neurologia. Barueri, SP: Manole, 2011.

ZACK, M. M.; KOBAU, R. National and State Estimates of the Numbers of Adults and Children with Active Epilepsy — United States, 2015. MMWR – Morbidity and Mortality Weekly Report, [S. l.], v. 66, n. 31, p.821-825, ago. 2017.




DOI: https://doi.org/10.1000/riec.v3i2.141

DOI (Lima et al.): https://doi.org/10.1000/riec.v3i2.141.g119

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Revista Interdisciplinar Encontro das Ciências - RIEC | ISSN: 2595-0959 |

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Interdisciplinar Encontro das Ciências - RIEC | ISSN: 2595-0959 |

Centro Universitário Vale do Salgado

Rua Monsenhor Frota, 690

Bairro Centro | CEP: 63430-000 | Brasil, Icó-Ceará

Telefone: +55 88 3561-2760

E-mail: riec@fvs.edu.br